Abdominoplastia Circunferencial (Bodylift, Lifting Corporal Inferior)

O paciente pós cirurgia bariátrica costuma apresentar abdome em avental, com grande excesso cutâneo vertical e horizontal de pele no abdômen. Além disso apresenta queda dos tecidos púbicos sobre os genitais, excesso de pele na parte inferior das costas, ptose e flacidez das nádegas, excesso cutâneo e flacidez na área lateral das coxas. Devido a esses achados, geralmente a abdominoplastia clássica apresenta resultados inadequados.

A abdominoplastia na região anterior, geralmente em forma  âncora difere-se da abdominoplastia clássica por incluir também uma cicatriz vertical na linha média do abdômen e dessa forma tratar melhor o excesso de pele existente nas laterais do abdômen, conferindo melhor contorno corporal.

Na abdominoplastia circunferencial ( também pode ser denominada como bodylift ou lifting corporal inferior – a parte posterior isolada é chamada de lifting glúteo) a cicatriz se estende para a região posterior, na linha da cintura, formando 360 graus. Essa cirurgia visa o tratamento do excedente cutâneo na região inferior das costas, ptose das nádegas e da flacidez e excesso de pele na região lateral das coxas. O tecido dermogorduroso da parte inferiror das costas e superior do glúteo pode ser reposicionada para aumento glúteo.

Geralmente associamos esses procedimentos com lipoaspiração para tratamento de gordura localizada, principalmente nas costas, flancos, parte superior do abdômen e monte de vênus.  Pode-se utilizar a gordura para remodelamento glúteo.

  1. Avaliação Pré-Operatória

O paciente candidato à cirurgia plástica abdominal deve apresentar boa condição de saúde, estar no peso ideal ou próximo à este. Deve ter pelo menos um ano da cirurgia bariátrica e estar com peso estável a pelo menos 3 meses. É necessário avaliação clínica completa e exames complementares, identificando fatores de risco para complicações. É importante a avaliação da parede abdominal, identificando pontos de fraqueza e hérnias que podem predispor a complicações. É de fundamental importância que o paciente esclareça todas as dúvidas e a expectativa pelo resultado seja realista.

 

  1. Procedimento

Dependendo da extensão de tecido que deve ser removido e dos procedimentos associados, a duração pode variar entre cinco e seis horas. As incisões são desenhadas inicialmente com o paciente em pé. A anestesia poderá ser geral ou regional de acordo com o caso. Ë necessário o uso de meias antitrombo e bombas de retorno venoso como medidas profiláticas para tromboembolismos venoso. Além disso utilizamos antibioticoprofilaxia como medida preventiva para infecção do sítio cirúrgico. É necessário sondagem vesical.

O procedimento inicia com a limpeza e antissepsia da área a ser trabalhada. Quando a lipoaspiração é indicada, iniciamos por ela para remoção de gordura localizada (costas, flancos e abdômen). Após, conforme planejamento realizamos a parte posterior da cirurgia, com lifting e aumento glúteo se indicado.

Após o término na parte posterior, iniciamos a parte anterior, a abdominoplastia propriamente dita. Removemos o excedente dermogorduroso através da separação cuidadosa da pele e da camada de gordura  dos músculos da região. A ação que produz uma parede abdominal plana afinando a cintura recebe o nome de plicatura, ou seja, pontos cirúrgicos efetuados para unir os músculos reto abdominais.

O fechamento é então realizado reconstruindo-se a adesão entre a camada de gordura e a musculatura. Isso evita a formação de líquido na região além de excluir a necessidade do uso de drenos na maioria dos pacientes, todavia indicamos em alguns casos.

Finalmente, a sutura das incisões, curativos e colocação da malha compressiva

  1. Recuperação e Cuidados

Recomenda-se o uso de uma malha de compressão e da meia antitrombo durante 30 dias. A vestimenta apertada auxilia a reduzir o edema e evita a formação de líquido, além de oferecer conforto ao paciente e auxiliar no processo de cicatrização. Logo após o procedimento o paciente pode ter dificuldade em ficar na posição ereta, mas, mesmo assim indica-se pequenas caminhadas imediatamente após a recuperação anestésica para melhorar o fluxo sanguíneo e a respiração. A posição mais adequada no pós-operatório é o decúbito dorsal, com travesseiros sob as costas e coxas. Não há restrição para sentar-se.  A alta de um procedimento de abdominoplastia ocorre entre 24 e 72 horas.

A sondagem vesical é mantida por 24 horas. O uso de anticoagulantes é mantido por pelo menos 7 dias ou até que o paciente esteva movimentando-se adequadamente para prevenção de embolia pulmonar e trombose venosa profunda

Deve-se ter cuidado rigoroso com os curativos. Entre 3 e 7 dias, os pacientes são liberados para a drenagem linfática que irá auxiliar no processo de reabsorção do edema. Recomenda-se que o paciente ande levemente curvado, ou seja com o tronco em flexão, por duas a três semanas – período no qual a maioria dos pacientes estará apto a retornar ao trabalho. Indica-se também evitar exercícios e atividades mais intensas no período de seis semanas após a cirurgia.

Assim como qualquer procedimento cirúrgico recomenda-se evitar a exposição direta ao sol por três meses (tendência a pigmentar a cicatriz e a aumentar o edema) além de manter a pele bem hidratada. É importante manter a cicatriz coberta com uma fita elástica ou uma tira de silicone. Técnicas de massagem e de hidratação da cicatriz também podem ser realizadas.

As complicações mais comuns são o seroma e as pequenas deiscências de cicatrizes e podem ser tratados de acordo com a necessidade.

  1. Resultados

A avaliação dos resultados deverá ser feita depois de seis meses, pois é após este prazo que a reabsorção do edema estará completa. Em alguns casos, algum retoque pode ser necessário mas o mesmo não deve ser feito antes de seis meses. Novas gestações e variações de peso podem comprometer os resultados alcançados. Entretanto, esses resultados podem ser mantidos por vários anos em pacientes com dieta adequada e exercícios físicos regulares.

Dr. Eduardo Dalberto
CREMERS 31347
Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP)

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